1 em cada 3 pessoas consegue ouvir sons nestes vídeos mudos. E você? (City University London/Reprodução) O cientista Elliot Freeman, da City University de Londres, escuta sons imaginários. Quando olha para pessoas na rua, pode ouvir os seus passos, mesmo que elas estejam longe demais para que o barulho seja real. Ele vê carros darem seta e escuta tec-tec-tec-tec quando as luzes piscam. Esse tipo de experiência entra no grupo das sinestesias – quando estímulos percebidos por um sentido específico dão origem a outras percepções sensoriais. Algumas pessoas sentem gostos ou cheiros ao ouvirem palavras relacionadas a eles. Há quem escute música e escute uma cor para cada nota. Alguns matemáticos atribuem cores aos números na imaginação. Não é um sistema que precisaram inventar. A sinestesia é involuntária e consistente. Ou seja: sempre que pensam no número 3 ou na nota dó, veem a cor correspondente, espontaneamente. A sinestesia visual-auditiva é uma das menos estudadas – e, por algum tempo, Elliot Freeman só achou que era meio maluco. Mas o pesquisador resolveu dedicar sua própria carreira à investigação desse fenômeno estranho. E descobriu que ele era muito mais comum do que ele imaginava: entre 20% e 30% das pessoas ouve sons imaginários quando vê vídeos sem som. Como identificar esse “superpoder” A pesquisa de Freeman mostra que a maioria dos “sinestésicos” ouve sons relacionados a imagens do cotidiano. O GIF de uma chaleira, por exemplo, pode fazer SHHHHH para muita gente. Mas tipos mais recorrentes dessa sinestesia acontecem quando as pessoas associam sons a imagens abstratas. Blocos mudando de forma, luzes neon piscando, quadros de arte modernista em movimento. O fenômeno ficou famoso com o GIF de uma torre elétrica “pulando corda”. Já até falamos especificamente sobre ele antes. Muita gente (esta repórter inclusa) ouve distintamente o som de BUM! toda vez que a torre dá impulso no chão. Segundo Freeman, geralmente a pessoa é capaz de perceber que o som está vindo da sua mente. É como cantarolar uma música dentro da sua cabeça. Mas todo som é uma interpretação do seu cérebro, certo? E, exatamente por isso, ainda é possível confundir esses barulhos com sons reais, especialmente em um ambiente muito silencioso. O novo passo da pesquisa de Freeman é descobrir que tipo de estímulo visual mais leva à sinestesia. E também se ela é associada a outras variações de percepção.
Incrível demais. Não acho que me adeque a isso, mas consigo ouvir o som na torre pulando corda, é fácil até pra mim associar sons à algumas imagens, mas abstratas não. Super legal! Bom trabalho.